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Análise de viabilidade financeira: o roteiro para decidir

· DRE e leitura gerencial

Viabilidade financeira responde a três perguntas, nessa ordem: quanto custa até se pagar, quanto tempo leva, e o que acontece se der errado. A terceira decide mais em PME do que as duas primeiras — porque projeto irreversível transforma erro de estimativa em problema estrutural.

Passo 1 — O custo total, não o preço

Liste tudo que acontece até o projeto operar normalmente:

  • Aquisição e implantação;
  • Custo recorrente novo (mensalidade, manutenção, pessoa contratada);
  • Horas internas de quem vai tocar — a quem elas deixam de ser dedicadas;
  • Capital de giro adicional: estoque a mais, prazo concedido a mais.

O último é o mais esquecido e o que mais derruba projeto viável no papel: o dinheiro fica imobilizado antes de voltar.

Passo 2 — A receita, em três cenários

Um número só é chute com aparência de precisão. Faça conservador, provável e otimista, e explicite a premissa de cada um — quantos clientes, a que preço, a partir de que mês.

O teste que importa: o projeto ainda faz sentido no cenário conservador? Se só fecha no otimista, ele não é um projeto: é uma aposta, e deve ser dimensionado como tal.

Passo 3 — O caixa, mês a mês

Resultado anual positivo pode esconder cinco meses de caixa negativo no meio do caminho. Monte a linha mensal: quanto sai, quanto entra, saldo acumulado.

MêsSaídasEntradasAcumulado
1 a 345.0000−45.000
4 a 69.00012.000−36.000
7 a 1218.00048.000+6.000

O número que essa tabela revela e o resultado anual esconde é o pior ponto — aqui, R$ 45 mil. É esse valor que precisa existir antes de começar, e não o custo total.

Passo 4 — Payback e retorno

Divida o investimento pelo ganho mensal estabilizado: é em quantos meses ele se paga. Acima de 24 meses, o projeto depende de premissas que talvez não se confirmem, e a análise vira exercício de imaginação. Para comparar alternativas com prazos diferentes, o método está em como calcular o ROI.

Passo 5 — O que acontece se der errado

Quatro perguntas, e elas costumam decidir:

  1. Dá para reverter? Equipamento revende; obra e software anual, não.
  2. Dá para começar menor? Uma versão reduzida que testa a premissa principal vale mais que uma análise mais elaborada.
  3. Qual premissa precisa ser verdadeira para o projeto funcionar — e como testá-la barato antes?
  4. Se demorar o dobro do previsto, a empresa aguenta? Projeto atrasa; é o caso mais provável, não o improvável.

O erro que repete

Comparar o projeto com fazer nada. A comparação certa é com as outras coisas que o mesmo dinheiro faria: quitar a dívida mais cara, reduzir prazo concedido, reforçar a reserva. Às vezes a melhor alternativa de investimento é não ter parcela.

Se você ainda não sabe quanto sobra por mês para bancar um projeto, esse é o primeiro número a levantar. O diagnóstico gratuito responde em 7 perguntas onde a operação está hoje.