Quase toda empresa sabe qual produto mais vende. Poucas sabem qual dá mais lucro. E quando a conta é feita, a ordem costuma ser diferente da esperada.
A tabela que responde
Você precisa de quatro colunas por produto ou serviço:
| Produto A | Produto B | Produto C | |
|---|---|---|---|
| Preço de venda | R$ 200 | R$ 80 | R$ 450 |
| Custo variável | R$ 120 | R$ 36 | R$ 320 |
| Margem de contribuição | R$ 80 | R$ 44 | R$ 130 |
| % sobre o preço | 40% | 55% | 29% |
| Unidades/mês | 50 | 300 | 12 |
| Contribuição total | R$ 4.000 | R$ 13.200 | R$ 1.560 |
O produto C tem o maior preço e a maior margem em reais por unidade. O produto B tem o menor preço e é quem realmente sustenta a empresa — contribui com mais que os outros dois somados.
Se o time comercial está focado no C porque “é o carro-chefe”, a empresa está otimizando o indicador errado.
Duas rentabilidades diferentes
Rentabilidade por unidade (% sobre o preço) responde onde vale empurrar preço ou negociar custo.
Contribuição total (margem × volume) responde o que sustenta a operação hoje.
As duas importam, para perguntas diferentes. A decisão de descontinuar olha a primeira; a decisão de onde colocar esforço comercial olha a segunda.
Em serviço, a conta tem um terceiro fator
Serviço tem um limite que produto não tem: a capacidade da equipe. Por isso a métrica mais útil é margem por hora.
Projeto X: R$ 12.000 ÷ 80 horas = R$ 150/hora de receita
Custo da hora: R$ 50 → margem de R$ 100/hora
Projeto Y: R$ 4.000 ÷ 15 horas = R$ 267/hora de receita
Custo da hora: R$ 50 → margem de R$ 217/hora
O projeto X fatura o triplo. O projeto Y é mais que o dobro mais rentável por hora. Se a agenda está cheia, aceitar X significa recusar cinco Y.
Isso só aparece quando você mede a hora — o que exige apontamento mínimo de tempo. É o passo que mais gente pula e o que mais muda a decisão. O raciocínio sobre como chegar ao custo da hora está em análise de custo.
O que fazer com a resposta
Margem negativa: reprecificar ou descontinuar. Não há terceira opção — volume não conserta margem negativa, só multiplica o prejuízo.
Margem positiva mas baixa, com volume alto: aqui mora o risco silencioso. Qualquer alta de custo vira prejuízo. Vale renegociar fornecedor antes de mexer no preço.
Margem alta com volume baixo: oportunidade comercial. Por que vende pouco? Preço, posicionamento ou falta de esforço?
Margem alta com volume alto: proteja. Entenda por que funciona antes de mudar qualquer coisa.
Os erros que distorcem o resultado
Ratear custo fixo e chamar de rentabilidade. O rateio é uma escolha arbitrária. Ele faz produto de baixo faturamento parecer caro. Para essa análise, use margem de contribuição.
Esquecer a taxa do meio de pagamento. Venda parcelada no cartão tem custo que varia com o número de parcelas. Se um produto é mais vendido parcelado, a margem real dele é menor que a da tabela.
Ignorar o custo de servir. Cliente que exige mais atendimento, mais ajuste, mais retrabalho consome margem que não aparece no custo do produto. Em serviço, isso costuma ser a maior distorção.
Usar preço de tabela em vez de preço praticado. Se há desconto recorrente, a análise precisa usar o preço médio realizado.
Com que frequência refazer
Trimestral resolve para a maioria das empresas. Mensal só se o custo for volátil — importação, commodity, câmbio.
O que não pode é fazer uma vez, concluir e nunca mais olhar. Custo muda sozinho; preço não.
Se você ainda não consegue ordenar seus produtos por rentabilidade, o diagnóstico gratuito aponta em 7 perguntas o que falta no seu controle.
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