A fórmula que a maioria usa é custo mais margem. O problema é que ela ignora três coisas que consomem margem depois da venda: o prazo concedido, a taxa do meio de pagamento e o imposto sobre o faturamento.
Uma venda com 30% de margem no papel pode fechar em 12% na conta bancária. E 12% pode não cobrir a estrutura.
Comece pelo custo real, não pelo custo de compra
Para produto, o custo não é o preço da nota fiscal. Inclui frete, perda, e o custo de manter em estoque.
Para serviço, o custo é o tempo. Se um projeto consome 40 horas da sua equipe e a hora custa R$ 60 com encargos, o custo direto é R$ 2.400 — antes de qualquer despesa de estrutura.
O erro mais frequente em serviço é não medir a hora. Sem isso, não existe preço, existe estimativa.
Depois, o que o preço precisa cobrir
Preço sustenta quatro coisas, nessa ordem:
- Custo variável — o que só existe se a venda existir
- Contribuição para o custo fixo — aluguel, folha administrativa, sistema
- Impostos sobre a receita — no Simples, a alíquota da sua faixa
- Lucro — o que sobra de verdade
A diferença entre preço e custo variável é a margem de contribuição. É ela que paga a estrutura. Quando todas as margens de contribuição somadas cobrem o custo fixo, você chegou ao ponto de equilíbrio.
O que quase sempre é esquecido
O prazo tem custo
Vender em 60 dias significa financiar o cliente por dois meses. Se você antecipa recebíveis a 2% ao mês para cobrir isso, os 60 dias custam cerca de 4% do valor da venda.
Ou o preço a prazo é maior que o à vista, ou você está dando um desconto que não percebeu.
A taxa do meio de pagamento
Cartão de crédito parcelado cobra taxa que varia com o número de parcelas. Boleto tem custo por emissão. Pix costuma ser o mais barato, e é por isso que muita empresa oferece desconto nele — o desconto é menor que a taxa evitada.
Se você tem uma tabela de preço só e recebe por cinco meios diferentes, sua margem real varia de venda para venda sem que ninguém controle.
O imposto sobe com o faturamento
No Simples Nacional, a alíquota efetiva aumenta conforme a receita acumulada dos últimos 12 meses. Um preço calculado com a alíquota de janeiro pode estar defasado em outubro.
Empresas próximas do teto de faixa deveriam revisar preço no meio do ano, não só na virada.
Monte a política, não só o preço
Política de preços é o conjunto de regras que evita negociação caso a caso:
Preço base por produto ou linha, com a margem-alvo definida.
Regra de desconto com limite e alçada. Até 5%, o vendedor decide. De 5% a 10%, precisa de aprovação. Acima disso, não existe. Sem regra, o desconto vira ferramenta de fechamento e a margem some.
Diferencial por prazo e por meio de pagamento, explícito na tabela. À vista é um preço, 3x é outro, 30/60/90 é outro.
Data de revisão. Custo muda. Preço que não é revisado em 12 meses está errado, só não se sabe em qual direção.
Teste antes de aplicar
Pegue as 10 últimas vendas e recalcule cada uma com a política nova. Duas perguntas:
- Alguma teria sido inviável para o cliente?
- Alguma teria dado prejuízo mesmo com o preço novo?
A segunda pergunta costuma revelar produtos ou serviços que deveriam sair do catálogo — e essa é a decisão mais difícil e mais lucrativa do processo.
Aumentar preço não é o único caminho
Antes de mexer na tabela, vale olhar mix e prazo. Vender mais do que tem margem melhor, ou reduzir o parcelamento oferecido, muda o resultado sem exigir conversa difícil com cliente. A estratégia de pricing tem mais alavancas que o número final.
Se você não sabe qual é a margem real por produto ou serviço, o diagnóstico gratuito aponta em 7 perguntas o que está faltando no seu controle.
Leia também
- Como criar uma política de despesas eficaz na sua empresa Organizar as despesas da sua empresa pode ser desafiador, mas uma política de despesas clara é a chave para o…
- Como criar um orçamento empresarial eficaz Orçamento não é previsão do que vai acontecer. É o compromisso do que a empresa vai gastar — e a diferença ent…
- Dicas para criar um orçamento eficaz Aprenda como criar um orçamento familiar e empresarial eficaz com dicas práticas e simples de implementar.
- Como criar uma estratégia de controle orçamentário eficaz Aprenda como criar uma estratégia de controle orçamentário eficaz para organizar as finanças do seu negócio.
Mais sobre o tema em dre e gestao .