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Gráficos financeiros: qual usar para cada indicador da empresa

· DRE e leitura gerencial

Gráfico financeiro serve para mostrar uma coisa só, de forma que a decisão fique óbvia. A escolha do tipo depende da pergunta: evolução no tempo pede linha, comparação entre itens pede barra, composição de um resultado pede cascata. Quase todo gráfico confuso é um tipo certo aplicado à pergunta errada.

Qual gráfico usar para cada pergunta

PerguntaTipo de gráficoPor quê
Como o número evoluiu?LinhaO olho lê inclinação melhor que altura
Qual item pesa mais?Barra horizontal, ordenadaComparar comprimento é mais preciso que ângulo
Como a receita virou lucro?Cascata (waterfall)Mostra o que cada linha da DRE tirou
Qual é a composição de um total?Barra empilhada 100%Funciona com mais de três partes
Estamos dentro do previsto?Linha do realizado sobre a metaMostra o desvio e o momento em que começou

Pizza só funciona com duas ou três fatias muito diferentes. Com despesas em doze categorias, vira um disco colorido em que ninguém distingue 8% de 11%.

Os seis gráficos que uma PME precisa

1. Faturamento mensal, 24 meses

Linha com o ano corrente sobre o ano anterior. A comparação mês a mês com o mesmo mês do ano passado elimina a sazonalidade da leitura — dezembro forte deixa de parecer crescimento.

2. Saldo de caixa projetado, 13 semanas

Linha do saldo semana a semana, com uma faixa horizontal no caixa mínimo. A pergunta é uma só: em que semana a linha cruza a faixa? É o gráfico que dá tempo de agir.

3. Despesas por categoria

Barra horizontal, da maior para a menor, com o percentual sobre a receita ao lado do valor. Ordenar é o que transforma a lista em prioridade: as três primeiras barras costumam ser mais da metade da despesa.

4. Da receita ao lucro (cascata)

Começa na receita bruta, desce imposto, custo variável, despesa fixa e despesa financeira, termina no lucro. É a forma mais rápida de mostrar a sócio ou investidor onde a margem fica, linha a linha da DRE.

5. Margem de contribuição por produto ou cliente

Barra horizontal ordenada pela margem de contribuição, não pelo faturamento. É comum o item que mais vende aparecer no meio da lista — ou no fim.

6. Contas a receber por faixa de atraso

Barra empilhada por mês: a vencer, até 30 dias, 31 a 90, acima de 90. Quando a faixa de cima engrossa, a inadimplência está crescendo antes de aparecer no caixa. Junto dele, vale acompanhar o prazo médio de recebimento.

Os erros que fazem o gráfico mentir

  • Eixo vertical que não começa no zero em gráfico de barra. Uma diferença de 3% vira o dobro de altura.
  • Dois eixos verticais no mesmo gráfico. Qualquer cruzamento de linhas pode ser fabricado mudando a escala de um deles.
  • Valor absoluto onde cabe percentual. Despesa que sobe junto com a receita não é problema; despesa que sobe como percentual da receita é.
  • 3D, sombra e gradiente. Distorcem a área e não acrescentam informação.
  • Período escolhido a dedo. Começar a série no pior mês faz qualquer recuperação parecer crescimento.

Antes do gráfico, o dado

Gráfico bem feito sobre lançamento incompleto só deixa o erro mais convincente. Se as despesas não estão classificadas por categoria e o extrato não está conciliado, o primeiro gráfico a fazer é nenhum: o trabalho é organizar a base. O que mostrar a cada pessoa, e com que frequência, está em relatórios financeiros claros.

Se ainda não está claro se a base aguenta esses seis gráficos, o diagnóstico gratuito mostra em 7 perguntas onde a rotina financeira está travando.