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O que o contador faz — e o que ele não faz pela sua empresa

A maior parte da frustração com contabilidade vem de uma confusão de fronteira: contador cuida da obrigação; o financeiro cuida da rotina que gera os números. Quando ninguém faz a segunda parte, o contador recebe material incompleto — e devolve um relatório que não bate com a realidade.

O resultado é o dono achando que o contador é ruim, e o contador trabalhando com o que recebeu.

A fronteira, em uma tabela

TarefaDe quem é
Apurar imposto e emitir guiaContabilidade
Obrigação acessória, folha, eSocialContabilidade
Escrituração, balanço, DRE contábilContabilidade
Enquadramento tributário e simulação de regimeContabilidade, com seus números
Lançar receita e despesa no dia a diaFinanceiro (seu)
Conciliação bancáriaFinanceiro (seu)
Cobrar quem está em atrasoFinanceiro (seu)
Projetar caixa e decidir pagamentoFinanceiro (seu)

A linha divisória prática: contabilidade olha para trás, com fidelidade; o financeiro olha para frente, com utilidade. Os dois relatórios podem ser diferentes e ambos estarem certos.

O que é legítimo cobrar do seu contador

  • Guia e obrigação em dia, sem você ter que lembrar;
  • Aviso de mudança de regra que afeta a sua atividade;
  • Revisão anual do enquadramento, comparando os regimes com os seus números reais;
  • Explicação em português do que os relatórios dizem;
  • Resposta em prazo combinado.

O terceiro é o de maior retorno por hora e o que menos acontece. Uma conversa de uma hora por ano com faturamento, folha e mix de atividades na mesa costuma valer mais que a economia de trocar de contador.

O que não é justo cobrar

Gestão de caixa, cobrança, decisão de preço e controle de margem. Não é escopo de contabilidade, e contratar por preço baixo esperando isso produz insatisfação dos dois lados.

Se é isso que falta, o que a empresa precisa é de operação financeira — a comparação entre contratar, terceirizar e contratar consultoria está em sinais de que a empresa precisa de ajuda no financeiro.

Como escolher uma contabilidade

  1. Experiência na sua atividade. Regra de ISS, código de serviço e anexo do Simples mudam muito por setor.
  2. Quem atende você, com nome — e não um canal genérico.
  3. O que está incluso, por escrito: abertura de filial, parcelamento, defesa em fiscalização, relatório gerencial. O que fica de fora costuma ser cobrado depois.
  4. Como recebe o seu material e em que formato devolve. Se ela exige planilha num modelo próprio, esse trabalho é seu, todo mês.
  5. Prazo de entrega combinado, e o que acontece quando ele não é cumprido.

Preço deveria ser o quinto critério, não o primeiro: a diferença entre uma contabilidade barata e uma boa costuma ser menor que uma única multa evitada.

O sinal de que o problema não é o contador

Você não consegue entregar, todo mês e no prazo, extrato conciliado, notas emitidas e recebidas e a folha fechada. Enquanto isso não existir, trocar de contabilidade não muda nada — o material que chega continua o mesmo.

A rotina mínima para produzir esse pacote está em rotina financeira. Se ela hoje não acontece na sua empresa, o diagnóstico gratuito mostra em 7 perguntas onde ela está travando.