Sinais de problemas de liquidez na sua empresa
Liquidez é a capacidade de pagar o que vence na data em que vence. É diferente de lucro e diferente de patrimônio: empresa lucrativa e com ativos pode ficar sem liquidez — e é isso que faz negócio saudável no papel fechar as portas.
Como medir, com dois números
1. Liquidez corrente. Divida o que a empresa tem a receber nos próximos 12 meses mais o caixa pelo que ela deve no mesmo período. Abaixo de 1, os compromissos superam os recursos previstos.
2. Dias de caixa. Divida o saldo disponível pela despesa fixa diária. O resultado é quantos dias a empresa aguenta sem receber nada. Abaixo de 30, qualquer imprevisto vira crédito de urgência.
O segundo é mais útil no dia a dia, porque responde em unidade de tempo — e decisão financeira acontece no calendário.
Os sinais de aperto, em ordem de aparecimento
- O pagamento depende de um recebimento específico chegar na data. Ainda não é crise, mas a operação já está sem folga.
- Antecipação de recebível vira rotina. Antecipar é vender o futuro com desconto; feito todo mês, é sintoma estrutural.
- Fornecedor passa a exigir pagamento à vista. Sinal de que o atraso já foi percebido do lado de fora.
- Tributo ou folha atrasa. Aqui o custo do atraso cresce sozinho, com multa diária.
- Crédito novo paga crédito antigo. O ciclo se fecha e a saída fica mais cara a cada volta.
Por que a liquidez aperta
Quase sempre por uma destas quatro causas, e a resposta muda conforme a causa:
| Causa | Como reconhecer | O que resolve |
|---|---|---|
| Ciclo descasado | Paga em 30, recebe em 60 | Renegociar prazo dos dois lados |
| Estoque parado | Compra por volume, gira devagar | Reduzir compra, liquidar o parado |
| Inadimplência | Vendeu, faturou, não recebeu | Régua de cobrança e política de crédito |
| Crescimento rápido | Faturamento sobe e caixa piora | Dimensionar o capital de giro antes de crescer |
Cortar custo não resolve nenhuma das quatro. Alivia o sintoma por um mês.
O que fazer quando o aperto já chegou
- Projete 13 semanas e descubra a semana exata em que o saldo fura.
- Cobre o vencido, do maior para o menor, com contato pessoal no que for relevante.
- Renegocie antes de atrasar. Fornecedor avisado negocia; surpreendido restringe.
- Ofereça desconto por antecipação e compare o custo dele com o do crédito que você tomaria.
- Crédito por último, negociado com antecedência e com o custo efetivo total na mão — não a parcela.
O que não fazer
- Tomar antecipação recorrente para tapar o buraco. É a fonte que mais encarece o problema.
- Atrasar folha e tributo. O custo do atraso é o mais alto de todos, e o dano com a equipe não se desfaz.
- Cortar o que sustenta a receita — vendedor, ferramenta de operação, manutenção essencial.
O indicador para acompanhar toda semana
Dias de caixa. Um número, calculado em dois minutos, que mostra a distância entre a empresa e o aperto. Se ele cair três semanas seguidas, a causa está numa das quatro da tabela acima — e ignorar essa queda é o que transforma aperto em crise.
Se a sua operação ainda não produz esse número, o diagnóstico gratuito aponta em 7 perguntas onde a rotina financeira trava.
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