Guia completo

Glossário financeiro completo: 50 termos que todo dono de empresa deveria dominar

Um guia único com os 50 termos financeiros e contábeis mais importantes para empreendedores brasileiros — do básico (receita, custo, lucro) ao que separa quem decide no escuro de quem decide com dado. Tudo em linguagem de gente.

Boa parte das decisões ruins no financeiro de uma empresa não vem de má-fé nem de preguiça — vem de não entender o que os números querem dizer. "Faturei bem, então por que não sobra dinheiro?" quase sempre é uma dúvida de vocabulário, não de gestão. Este guia reúne os 50 termos que mais geram confusão, cada um explicado em duas frases que você consegue usar amanhã. Use o índice para pular direto ao que precisa.

01

Resultado e lucratividade

Receita

Todo o dinheiro que entra pela venda dos seus produtos ou serviços, antes de descontar qualquer coisa.

Receita (ou faturamento bruto) é a soma de tudo que você vendeu num período — sem tirar impostos, custos ou despesas. É o número mais fácil de inflar o ego e o mais perigoso de confundir com sucesso.

Receita alta não significa empresa saudável. Ela é só o ponto de partida: a partir dela você desconta impostos, custos e despesas para descobrir se sobrou alguma coisa. Faturar muito e não ter caixa é o sintoma mais comum de quem olha só para a receita.

Exemplo: Uma agência vendeu R$ 80.000 em projetos no mês. Essa é a receita — mesmo que metade ainda esteja a receber e R$ 30.000 sejam custos.

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Receita líquida

O que sobra da receita depois de tirar impostos sobre venda, devoluções e cancelamentos.

A receita líquida é o valor que de fato 'vale' para a sua operação. Você pega a receita bruta e desconta os impostos que incidem direto sobre a venda (ISS, ICMS, PIS, COFINS), as devoluções e os cancelamentos.

É a partir da receita líquida — e não da bruta — que faz sentido calcular margens. Comparar lucro com faturamento bruto esconde o peso dos impostos e dá uma sensação falsa de rentabilidade.

Exemplo: Faturou R$ 100.000, mas R$ 16.000 foram impostos sobre a venda. A receita líquida é R$ 84.000.

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CMV (Custo da Mercadoria Vendida)

Quanto custou exatamente aquilo que você vendeu — só o que foi embora junto com a venda.

CMV é o custo direto do que saiu da prateleira. Em comércio, é o preço de compra das mercadorias vendidas. Em serviço, o conceito vira CSP (Custo do Serviço Prestado): horas da equipe, ferramentas e insumos ligados àquele entregável.

O CMV é o primeiro desconto na sua receita e define o lucro bruto. Quem não separa o CMV das outras despesas acaba achando que a operação é mais (ou menos) rentável do que realmente é.

Exemplo: Uma loja vendeu R$ 50.000 em produtos que custaram R$ 30.000 para comprar. O CMV é R$ 30.000.

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Custo

Gasto diretamente ligado a produzir ou entregar aquilo que você vende.

Custo é o dinheiro que sai por causa da entrega: matéria-prima, mão de obra de produção, frete do produto, insumos do serviço. Se a venda não acontece, esse gasto, em tese, não acontece.

A confusão clássica é misturar custo com despesa. Custo está colado no produto/serviço; despesa é o que mantém a empresa de pé independentemente da venda. Separar os dois é o que permite saber se o problema está na operação ou na estrutura.

Exemplo: O tecido e a costureira de uma confecção são custo. O aluguel do escritório é despesa.

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Despesa

Gasto que mantém a empresa funcionando, mas que não está ligado direto a uma venda.

Despesa é o custo de existir: aluguel, salários administrativos, contador, software, energia, marketing. Vendendo ou não, a conta chega.

Despesas costumam ser onde mais escapa dinheiro sem ninguém perceber — assinaturas esquecidas, serviços que ninguém usa, taxas. Por isso vale revisá-las periodicamente: cada real de despesa cortada vai direto para o lucro.

Exemplo: Aluguel, salário do administrativo e a assinatura de um sistema são despesas — existem mesmo num mês sem vendas.

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Custo fixo e custo variável

Fixo é o que você paga todo mês independente de vender; variável muda conforme o volume de vendas.

Custo fixo não se move com as vendas: aluguel, salários, software. Custo variável acompanha o volume: comissão, matéria-prima, taxa de cartão, frete. Conhecer a divisão é o que permite simular cenários ('e se eu vender 30% a mais?').

Empresa com custo fixo alto precisa de volume para sobreviver — qualquer queda de vendas dói rápido. Empresa mais 'variável' respira melhor na baixa, mas ganha menos na escala. Não existe certo ou errado, existe o que combina com a sua previsibilidade de receita.

Exemplo: Se as vendas caem pela metade, o aluguel (fixo) continua igual, mas a comissão dos vendedores (variável) cai junto.

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Margem de contribuição

Quanto sobra de cada venda, depois dos custos variáveis, para pagar os custos fixos e gerar lucro.

Margem de contribuição é receita menos custos variáveis. É o pedaço de cada venda que 'contribui' para cobrir a estrutura fixa e, depois que ela está paga, vira lucro.

É uma das métricas mais úteis e menos usadas pela PME. Com ela você sabe quanto precisa vender para empatar, quais produtos realmente valem a pena e o impacto de dar aquele desconto. Margem de contribuição baixa significa que vender mais quase não melhora o resultado.

Exemplo: Vendeu por R$ 100 algo com R$ 40 de custos variáveis. A margem de contribuição é R$ 60 (60%).

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Margem de lucro

Quanto da sua receita vira lucro, em percentual. Mostra a eficiência, não o tamanho.

Margem de lucro é o lucro dividido pela receita. Se você teve R$ 10.000 de lucro sobre R$ 100.000 de receita, a margem é 10%. É o que permite comparar empresas de tamanhos diferentes na mesma régua.

Existe margem bruta, operacional e líquida — cada uma desconta um nível a mais de gasto. Acompanhar a margem ao longo do tempo diz mais do que o valor absoluto: margem caindo com receita subindo é sinal de que você está crescendo gastando rentabilidade.

Exemplo: Duas empresas lucram R$ 20.000. A que fatura R$ 100.000 (20% de margem) é mais eficiente que a que fatura R$ 400.000 (5%).

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Lucro bruto

O que sobra da receita depois de descontar só os custos diretos (CMV/CSP), antes das despesas.

Lucro bruto é receita líquida menos o custo do que foi vendido. Ele mostra se a sua operação, no núcleo, faz sentido — se você vende mais caro do que custa produzir.

Um lucro bruto saudável é a base de tudo. Se ele já é apertado, nenhuma economia de despesa salva o negócio: o problema está no preço ou no custo de produção, e é ali que a correção precisa acontecer.

Exemplo: Receita líquida de R$ 84.000 menos R$ 30.000 de custo das vendas = R$ 54.000 de lucro bruto.

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Lucro operacional (EBIT)

O lucro que vem só da operação do negócio, antes de juros e impostos sobre o lucro.

Lucro operacional (ou EBIT, em inglês) é o que sobra depois de pagar custos e despesas da operação, mas antes de considerar juros de empréstimos e imposto de renda. Ele responde: 'o meu negócio, fazendo o que ele faz, dá lucro?'

É um número honesto porque isola a operação das decisões financeiras. Uma empresa pode ter ótimo lucro operacional e ainda assim fechar no vermelho por causa de dívidas caras — e aí o remédio é renegociar dívida, não mexer na operação.

Exemplo: A operação gerou R$ 15.000 de lucro, mas R$ 8.000 viraram juros de empréstimo. O EBIT é R$ 15.000; o problema está depois dele.

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Lucro líquido

O que realmente sobra no fim, depois de absolutamente tudo: custos, despesas, juros e impostos.

Lucro líquido é a última linha da conta — o dinheiro que de fato fica para a empresa e para os sócios depois de pagar tudo. É o número que diz se o negócio, somando todas as decisões, deu certo no período.

Não confunda lucro líquido com dinheiro no caixa. Você pode ter lucro no papel e caixa apertado (vendas a prazo, estoque parado) ou caixa cheio e prejuízo (adiantamentos, empréstimos). Lucro e caixa são duas histórias que precisam ser lidas juntas.

Exemplo: Depois de custos, despesas, juros e impostos, dos R$ 100.000 faturados sobraram R$ 7.000. Esse é o lucro líquido.

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EBITDA

O lucro da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização — uma medida de geração de caixa operacional.

EBITDA é o lucro operacional somado de volta à depreciação e amortização (gastos contábeis que não saem do caixa). A ideia é mostrar quanto a operação gera de dinheiro 'puro', sem o efeito de decisões financeiras e de regras contábeis.

É muito usado por investidores e em valuation, mas tem um perigo: ignorar depreciação não faz a máquina parar de envelhecer. Para a PME, EBITDA é útil para comparar a operação ao longo do tempo, desde que você não esqueça que a reposição de equipamentos é real.

Exemplo: Lucro operacional de R$ 15.000 + R$ 3.000 de depreciação = EBITDA de R$ 18.000.

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Ponto de equilíbrio (break-even)

O faturamento mínimo para não ter prejuízo — onde as contas empatam.

Ponto de equilíbrio é quanto você precisa vender para cobrir todos os custos e despesas, sem lucro nem prejuízo. Abaixo dele, você queima dinheiro; acima, começa a sobrar.

Calcular o seu break-even muda a forma de tomar decisão. Você para de olhar a meta de vendas como um número solto e passa a saber exatamente a partir de qual ponto cada venda vira lucro — e quanta gordura tem antes do vermelho.

Exemplo: Custos fixos de R$ 30.000 e margem de contribuição de 60% exigem R$ 50.000 de venda para empatar.

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Ticket médio

Quanto, em média, cada cliente ou venda gera de receita.

Ticket médio é a receita dividida pelo número de vendas (ou de clientes) no período. É um termômetro simples do tamanho do seu negócio por transação.

Subir o ticket médio costuma ser mais barato que conquistar clientes novos: combos, upsell, planos. Acompanhá-lo evita a armadilha de crescer em volume e encolher em valor — vender muito barato pode dar mais trabalho do que resultado.

Exemplo: R$ 80.000 de receita em 40 vendas dá um ticket médio de R$ 2.000.

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Markup

O multiplicador que você aplica sobre o custo para chegar ao preço de venda.

Markup é o quanto você adiciona em cima do custo para formar o preço, embutindo impostos, despesas e a margem desejada. Diferente da margem (que olha o preço final), o markup parte do custo.

O erro clássico é confundir markup com margem: aplicar 'markup de 30%' achando que vai ter 30% de lucro. Como o markup parte do custo e a margem do preço, os percentuais nunca batem — e essa confusão derruba a rentabilidade de muita gente.

Exemplo: Custo de R$ 100 com markup 2x vira preço de R$ 200 — mas a margem sobre o preço é 50%, não 100%.

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02

Caixa e liquidez

Fluxo de caixa

O registro de todo o dinheiro que entra e sai da empresa ao longo do tempo.

Fluxo de caixa é o filme do seu dinheiro: quando entra, quando sai e quanto sobra a cada dia. Não é sobre quanto você lucrou no papel, é sobre quanto você tem disponível de verdade.

É o indicador que mais quebra empresa quando ignorado. Negócio lucrativo fecha as portas por ficar sem caixa no momento errado. Um fluxo bem feito antecipa o aperto antes dele acontecer — e dá tempo de reagir.

Exemplo: Faturou R$ 55.000 no mês, mas saíram R$ 60.000. O lucro pode até existir no prazo, mas o caixa fechou negativo em R$ 5.000.

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Capital de giro

O dinheiro que a empresa precisa ter disponível para tocar o dia a dia entre pagar e receber.

Capital de giro é o fôlego financeiro da operação: o recurso que cobre o intervalo entre pagar fornecedores/salários e receber dos clientes. Quanto maior esse intervalo, mais giro você precisa.

Falta de capital de giro é o que empurra empresa lucrativa para o cheque especial e o empréstimo caro. Negociar prazos (receber mais rápido, pagar mais devagar) muitas vezes resolve mais que buscar crédito.

Exemplo: Você paga o fornecedor em 30 dias mas só recebe do cliente em 60. Esses 30 dias de diferença precisam de capital de giro.

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Regime de caixa x competência

Duas formas de registrar: caixa conta quando o dinheiro entra/sai; competência conta quando o negócio acontece.

No regime de caixa, a venda só aparece quando o dinheiro cai na conta. No de competência, ela aparece no dia em que foi feita, mesmo que o pagamento venha depois. As duas visões são corretas — para finalidades diferentes.

Competência mostra se a operação é lucrativa; caixa mostra se você tem dinheiro agora. Olhar só uma delas engana: a competência pode dizer 'lucrou' enquanto o caixa grita 'não tem como pagar a folha'.

Exemplo: Vendeu em janeiro para receber em março. Pela competência, é receita de janeiro; pelo caixa, de março.

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Contas a receber

Tudo que os clientes ainda vão te pagar — vendas já feitas que ainda não viraram caixa.

Contas a receber é o dinheiro que já é seu por direito, mas ainda não entrou: vendas a prazo, parcelas, boletos em aberto. É um ativo, mas não paga conta enquanto não vira caixa.

Estoque grande de contas a receber com prazos longos é dinheiro preso. Acompanhar a 'idade' desses valores (quem está atrasando, quanto vence quando) é o que mantém o caixa previsível e a inadimplência sob controle.

Exemplo: Você vendeu R$ 40.000 parcelado. Enquanto as parcelas não caem, são contas a receber — não caixa disponível.

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Contas a pagar

Tudo que a empresa ainda deve pagar — compromissos assumidos que vão sair do caixa.

Contas a pagar é o espelho do contas a receber: fornecedores, impostos, salários, empréstimos — obrigações já assumidas com data para sair. Organizá-las por vencimento é metade do controle de caixa.

Gerir bem o contas a pagar não é atrasar tudo, é sincronizar saídas com entradas. Pagar no melhor prazo possível (sem multa e sem perder desconto à vista) é uma alavanca de caixa que não custa nada além de organização.

Exemplo: Boletos de fornecedores, a folha do dia 5 e o DAS do dia 20 são todos contas a pagar do mês.

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Inadimplência

A parte das suas vendas que o cliente não pagou no prazo combinado.

Inadimplência é o quanto do que você tinha para receber não entrou na data. Costuma ser medida em percentual sobre as vendas a prazo e é um dos vazamentos mais silenciosos do caixa.

Um pouco de inadimplência é esperado; o problema é não medir. Sem acompanhamento, ela cresce sem alarme e some no meio do faturamento. Política de cobrança clara e régua de contato automática seguram a maior parte antes de virar perda.

Exemplo: De R$ 40.000 em vendas a prazo no mês, R$ 4.000 não foram pagos no vencimento: 10% de inadimplência.

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Liquidez

A capacidade da empresa de transformar o que tem em dinheiro para honrar os compromissos.

Liquidez é o quão rápido seus ativos viram caixa para pagar as contas. Dinheiro na conta é altíssima liquidez; estoque parado e máquina são baixa liquidez. Uma empresa pode ter patrimônio e mesmo assim travar por falta de liquidez.

Os índices de liquidez (corrente, seca) comparam o que você tem a receber no curto prazo com o que tem a pagar. Servem de alerta: liquidez abaixo de 1 indica que, no curto prazo, as dívidas superam o que vai entrar.

Exemplo: Você tem R$ 100.000 em estoque mas R$ 10.000 em boletos vencendo hoje. Patrimônio existe; liquidez, não.

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Conciliação bancária

Bater, linha por linha, o que o sistema registrou com o que realmente aconteceu na conta do banco.

Conciliação bancária é conferir se cada entrada e saída registrada no seu controle corresponde ao extrato do banco. É o que garante que os números em que você baseia decisão são reais, e não um chute desatualizado.

Sem conciliação, erros se acumulam: lançamentos esquecidos, taxas não registradas, pagamentos duplicados. Feita com disciplina (idealmente diária), ela é a diferença entre um caixa confiável e uma planilha que ninguém tem coragem de usar para decidir.

Exemplo: O sistema diz que sobraram R$ 12.000, o banco mostra R$ 11.300. A conciliação acha os R$ 700 de taxa que ninguém lançou.

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Fluxo de caixa projetado

A previsão de quanto você vai ter em caixa nas próximas semanas, com base no que já está agendado.

Enquanto o fluxo de caixa olha o passado, o projetado olha para frente: cruza contas a receber e a pagar já conhecidas para mostrar como vai estar o saldo nos próximos dias e semanas.

É a ferramenta que tira a empresa do modo reativo. Em vez de descobrir o aperto no dia, você o vê chegando com semanas de antecedência — tempo suficiente para antecipar um recebimento, adiar uma compra ou negociar um prazo.

Exemplo: A projeção mostra saldo negativo na terceira semana. Você antecipa um recebível e evita o cheque especial.

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Reserva de emergência (empresarial)

Um colchão de caixa guardado para a empresa aguentar meses ruins sem entrar em pânico.

Reserva de emergência empresarial é um valor separado, de alta liquidez, que cobre as despesas fixas por alguns meses caso a receita despenque. É o que transforma um susto (cliente grande que sai, sazonalidade, crise) em um problema administrável.

A régua comum é de 3 a 6 meses de custos fixos, dependendo da previsibilidade da sua receita. Construí-la é chato porque concorre com investimento e pró-labore — mas é justamente ela que evita decisões desesperadas na primeira turbulência.

Exemplo: Custos fixos de R$ 30.000/mês pedem uma reserva entre R$ 90.000 e R$ 180.000.

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03

Patrimônio e contabilidade

Ativo

Tudo que a empresa tem ou tem a receber e que pode, de alguma forma, virar dinheiro.

Ativo é o lado dos bens e direitos da empresa: dinheiro em caixa, contas a receber, estoque, máquinas, imóveis, veículos. Em uma frase, é tudo que a empresa possui e que tem valor econômico.

Os ativos se dividem por liquidez: os circulantes (caixa, recebíveis, estoque) viram dinheiro em até um ano; os não circulantes (imóveis, equipamentos) são de longo prazo. Entender o que você tem em cada grupo é o que mostra se o patrimônio está 'travado' ou disponível.

Exemplo: O caixa, os R$ 40.000 a receber, o estoque e a frota de uma transportadora são todos ativos.

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Passivo

Tudo que a empresa deve — as obrigações com terceiros.

Passivo é o lado das dívidas e obrigações: fornecedores, empréstimos, impostos a pagar, salários, financiamentos. É de onde veio parte do dinheiro que financia os ativos.

Como o ativo, o passivo se divide em circulante (vence em até um ano) e não circulante (longo prazo). Passivo não é necessariamente ruim — é alavanca quando bem usado. O risco aparece quando ele cresce mais rápido que a capacidade de pagar.

Exemplo: Empréstimo no banco, boletos de fornecedor e o INSS a recolher são passivos.

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Patrimônio líquido

O que sobra para os sócios depois de descontar todas as dívidas do total de bens. Ativo menos passivo.

Patrimônio líquido é a riqueza que de fato pertence aos donos: pegue tudo que a empresa tem (ativo) e tire tudo que ela deve (passivo). O que resta é o patrimônio líquido — inclui o capital investido e os lucros que ficaram na empresa.

É o melhor termômetro de longo prazo. Patrimônio líquido que cresce ano a ano significa empresa acumulando valor; encolhendo, significa que prejuízos ou retiradas estão consumindo a base. Patrimônio negativo é sinal de alerta sério.

Exemplo: Ativos de R$ 300.000 e passivos de R$ 180.000 dão um patrimônio líquido de R$ 120.000.

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Balanço patrimonial

A foto da empresa num momento: tudo que ela tem, tudo que deve e o que sobra para os sócios.

O balanço patrimonial é um retrato em uma data específica. De um lado, os ativos (o que a empresa tem); do outro, os passivos (o que deve) e o patrimônio líquido (o que é dos sócios). Por definição, os dois lados sempre se igualam.

Enquanto a DRE conta o filme do período (deu lucro?), o balanço dá a foto da solidez (a empresa está bem estruturada?). Lê-los juntos mostra não só se você ganhou dinheiro, mas se está mais forte do que estava.

Exemplo: No dia 31/12, a empresa tinha R$ 300.000 de ativos, R$ 180.000 de passivos e R$ 120.000 de patrimônio líquido.

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Ativo circulante e não circulante

Circulante é o que vira dinheiro em até um ano; não circulante é o de longo prazo.

Ativo circulante é a parte 'líquida' do patrimônio: caixa, aplicações, contas a receber e estoque — coisas que devem virar dinheiro dentro de um ano. Ativo não circulante é o de longo prazo: imóveis, máquinas, veículos, participações.

Essa divisão importa porque conta paga-se com circulante, não com prédio. Uma empresa pode ter muito ativo total e pouco circulante — patrimônio alto, mas pouca capacidade de honrar o curto prazo. É a leitura por trás dos índices de liquidez.

Exemplo: O estoque é ativo circulante; o galpão onde ele fica é ativo não circulante.

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DRE (Demonstração do Resultado do Exercício)

O relatório que mostra, em ordem, como a receita virou (ou não) lucro num período.

A DRE é a história do resultado contada de cima para baixo: começa na receita, desconta impostos, custos e despesas, considera juros e impostos sobre o lucro, e termina no lucro (ou prejuízo) líquido. Cada linha mostra onde o dinheiro foi ficando pelo caminho.

É o relatório gerencial mais poderoso para decidir, porque mostra não só quanto sobrou, mas onde vazou. DRE com lucro bruto bom e líquido ruim aponta excesso de despesa ou de juros; lucro bruto ruim já denuncia preço ou custo. Ela transforma 'não sei por que não sobra' em uma resposta com endereço.

Exemplo: A DRE mostra receita de R$ 100.000, R$ 54.000 de lucro bruto e só R$ 7.000 de lucro líquido — o vazamento está nas despesas e nos juros.

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Depreciação

O reconhecimento contábil de que bens da empresa perdem valor com o uso e o tempo.

Depreciação distribui o custo de um bem (máquina, veículo, computador) ao longo da vida útil dele, em vez de jogar tudo no mês da compra. É uma despesa que aparece na DRE mas não sai do caixa — o dinheiro já saiu lá atrás, na compra.

Ignorar a depreciação faz a empresa parecer mais lucrativa do que é, porque esconde que os equipamentos vão precisar ser repostos. Reconhecê-la é o que lembra você de guardar para a troca antes que ela vire uma emergência de caixa.

Exemplo: Uma máquina de R$ 60.000 com vida útil de 10 anos deprecia R$ 6.000 por ano.

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Provisão

Dinheiro reservado, na contabilidade, para um gasto futuro que você já sabe que vai acontecer.

Provisão é reconhecer hoje um custo que vai estourar lá na frente: 13º, férias, rescisões, impostos, garantias. Em vez de levar o tranco no mês do pagamento, você distribui o peso ao longo do tempo.

Empresa que não provisiona vive de sustos sazonais — dezembro chega e o 13º 'aparece do nada'. Provisionar é o que torna o resultado mensal honesto e o caixa preparado para os compromissos que você já sabe que existem.

Exemplo: Separar 1/12 do 13º todo mês evita que dezembro vire um buraco de caixa.

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Plano de contas

A lista organizada de categorias usada para classificar cada entrada e saída de dinheiro.

Plano de contas é o 'dicionário' das suas finanças: a estrutura de categorias e subcategorias em que todo lançamento é encaixado. É o que permite responder 'quanto gastei com marketing?' ou 'quanto custa minha estrutura?' em segundos.

Um plano de contas bem desenhado é a base de qualquer relatório gerencial útil. Mal feito (categorias demais, vagas ou inconsistentes), ele transforma a contabilidade em um amontoado de números que ninguém consegue ler para decidir.

Exemplo: Toda saída cai numa conta: 'Despesa > Marketing > Tráfego pago'. No fim do mês, o relatório se monta sozinho.

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Centro de custo

Um 'bolso' para agrupar gastos por área, projeto ou unidade e enxergar onde o dinheiro é consumido.

Centro de custo é uma etiqueta que diz a qual área um gasto pertence: comercial, operação, administrativo, uma filial, um projeto. Enquanto o plano de contas diz o que foi gasto, o centro de custo diz onde/por quem.

É o que permite descobrir qual área, produto ou cliente realmente dá lucro e qual só dá trabalho. Sem centros de custo, tudo vira uma média que esconde o vilão — e você acaba subsidiando o que destrói margem sem perceber.

Exemplo: O mesmo gasto de 'salários' dividido entre os centros 'Comercial' e 'Operação' revela qual área pesa mais.

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04

Tributos e estrutura

Simples Nacional

Regime tributário simplificado que reúne vários impostos em uma guia única, para micro e pequenas empresas.

O Simples Nacional unifica até oito tributos em um único pagamento mensal (o DAS), com alíquotas que crescem conforme o faturamento. É voltado a empresas com receita anual de até R$ 4,8 milhões e costuma reduzir a burocracia.

Simples não é automaticamente o mais barato. Dependendo da margem, da folha e do anexo em que a sua atividade se enquadra, lucro presumido pode pagar menos. A escolha do regime é uma das decisões financeiras de maior impacto e merece cálculo, não suposição.

Exemplo: Uma empresa que fatura R$ 30.000/mês recolhe um único DAS em vez de apurar PIS, COFINS, ISS e os demais separadamente.

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Lucro presumido

Regime em que o imposto é calculado sobre uma margem de lucro presumida pelo governo, não sobre o lucro real.

No lucro presumido, o governo 'presume' uma margem de lucro padrão para a sua atividade e cobra imposto sobre ela, independentemente do que você lucrou de verdade. A apuração é mais simples que a do lucro real.

Ele tende a valer a pena para empresas com margem alta (lucro real maior que o presumido) e folha enxuta. Para quem tem margem baixa ou prejuízo, pode sair caro — porque você paga sobre um lucro que talvez nem tenha tido.

Exemplo: Em serviços, presume-se 32% de margem. Faturando R$ 100.000, o imposto incide sobre R$ 32.000, mesmo que você tenha lucrado menos.

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Lucro real

Regime em que o imposto incide sobre o lucro efetivo, apurado pela contabilidade.

No lucro real, você paga imposto sobre o lucro que de fato teve — apurado com contabilidade completa. É obrigatório para empresas grandes ou de certos setores, e opcional para as demais.

É o regime mais justo quando a margem é baixa ou o resultado oscila: teve prejuízo, não paga IR/CSLL e ainda pode compensar no futuro. Em troca, exige contabilidade rigorosa e dá mais trabalho. Vale quando a economia de imposto supera o custo do controle.

Exemplo: Uma empresa de margem apertada que teve prejuízo no trimestre não paga IR sobre o lucro — porque não houve lucro real.

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DAS (Documento de Arrecadação do Simples)

A guia única mensal que a empresa do Simples Nacional paga, reunindo todos os tributos.

O DAS é o boleto mensal do Simples Nacional. Em um único pagamento, ele recolhe os tributos federais, o ISS (municipal) e/ou o ICMS (estadual) conforme a atividade. O valor sai de um percentual sobre o faturamento do mês.

Atrasar o DAS gera juros e multa e, repetido, pode excluir a empresa do Simples. Como ele varia com a receita, entra direto no fluxo de caixa: meses de venda alta puxam um DAS maior no mês seguinte — vale provisionar.

Exemplo: Faturou R$ 30.000 num mês com alíquota de 6%? O DAS será de R$ 1.800, com vencimento no dia 20 do mês seguinte.

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Pró-labore

A remuneração oficial do sócio que trabalha na empresa — o 'salário' de quem é dono e opera.

Pró-labore é o pagamento pelo trabalho do sócio na empresa. Diferente da distribuição de lucros, ele sofre INSS e imposto de renda, e é o que dá ao sócio a condição de contribuinte (aposentadoria, benefícios).

Definir um pró-labore claro é o que separa o bolso da empresa do bolso do dono. Sócio que tira dinheiro 'quando precisa', sem pró-labore definido, mistura as contas e perde totalmente a leitura do que a empresa realmente custa e gera.

Exemplo: O sócio define R$ 8.000 de pró-labore por mês. Esse é o custo do trabalho dele; o lucro distribuído vem separado.

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Distribuição de lucros

A parte do lucro que os sócios retiram da empresa — em geral, isenta de imposto de renda na pessoa física.

Distribuição de lucros é a retirada da parcela do lucro que cabe aos sócios, depois que a empresa apurou resultado positivo. Quando feita com a contabilidade em dia, costuma ser isenta de IR na pessoa física — diferente do pró-labore.

O cuidado é não distribuir o que não existe: tirar 'lucro' sem resultado apurado é descapitalizar a empresa e pode ter efeito tributário. Lucro de verdade é o que sobra depois de tudo — inclusive depois de reservar caixa para a operação girar.

Exemplo: Apurado R$ 50.000 de lucro no trimestre, os sócios distribuem R$ 30.000 e deixam R$ 20.000 na empresa.

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Separação PJ e PF

Manter as finanças da empresa (PJ) e as suas pessoais (PF) em contas e bolsos totalmente separados.

Separar PJ de PF é a regra número um da saúde financeira de quem empreende: a empresa tem a conta dela, o dono tem a dele, e o dinheiro só passa de um para o outro via pró-labore ou distribuição de lucros — com registro.

Misturar os dois é a origem de quase todo caos financeiro de PME. Sem separação, você nunca sabe se a empresa dá lucro ou se é o seu dinheiro pessoal que está sustentando ela. É a primeira coisa a arrumar, antes de qualquer relatório sofisticado.

Exemplo: Almoço da família não sai da conta da empresa. O dono recebe pró-labore e, com ele, paga as despesas pessoais.

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Faturamento x lucro

Faturamento é o quanto entra; lucro é o quanto sobra. Confundir os dois é o erro mais caro do empreendedor.

Faturamento é o total vendido; lucro é o que resta depois de pagar impostos, custos, despesas e juros. Você pode faturar muito e lucrar pouco (ou nada) — e o contrário também: faturar menos com mais lucro.

Decisões tomadas pelo faturamento ('estou crescendo!') ignoram se o crescimento é rentável. Crescer faturamento destruindo margem é correr mais rápido para o lugar errado. O número que paga as contas e remunera o dono é o lucro, não o faturamento.

Exemplo: Faturou R$ 100.000 e achou ótimo — mas sobraram R$ 3.000 de lucro. Cresceu o faturamento, não o resultado.

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Indicadores e gestão

KPI financeiro

Um indicador-chave que mede a saúde do negócio e guia a decisão — não um número que você olha por olhar.

KPI (indicador-chave de desempenho) financeiro é a métrica que você escolhe acompanhar de perto porque ela influencia diretamente o resultado: margem, fluxo de caixa, inadimplência, ponto de equilíbrio, CAC. Poucos e bem escolhidos valem mais que um painel cheio.

Um bom KPI tem meta, frequência e dono. Sem isso, vira enfeite de relatório. A pergunta certa não é 'quais números eu posso medir?', e sim 'quais 3 ou 4 números, se piorarem, me avisam que algo está errado a tempo de agir?'.

Exemplo: Uma empresa elege margem de contribuição, dias de caixa e inadimplência como seus 3 KPIs — e revisa toda semana.

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ROI (Retorno sobre Investimento)

Quanto um investimento devolveu em relação ao que custou. Mede se valeu a pena colocar dinheiro ali.

ROI compara o ganho gerado por um investimento com o valor investido. Positivo, você ganhou mais do que gastou; negativo, queimou dinheiro. Serve para campanha de marketing, contratação, máquina, sistema — qualquer aposta de capital.

O segredo do ROI é medir o retorno certo e no prazo certo. Olhar só o retorno imediato penaliza investimentos que rendem ao longo do tempo; olhar só o de longo prazo esconde sangrias presentes. Use-o para comparar onde cada real rende mais.

Exemplo: Investiu R$ 10.000 em uma campanha que gerou R$ 25.000 de lucro adicional. O ROI foi de 150%.

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CAC (Custo de Aquisição de Cliente)

Quanto a empresa gasta, em média, para conquistar cada cliente novo.

CAC é a soma do que você investe em marketing e vendas dividida pelo número de clientes conquistados no período. Mostra o preço real de crescer — e se a sua máquina de aquisição é sustentável.

CAC sozinho não diz nada: ele precisa ser comparado com o quanto cada cliente gera ao longo do relacionamento (o LTV). CAC subindo sem o ticket ou a retenção acompanharem é o sinal mais claro de crescimento que custa mais do que traz.

Exemplo: Gastou R$ 12.000 em marketing e vendas e trouxe 8 clientes no mês: CAC de R$ 1.500 por cliente.

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LTV (Lifetime Value)

Quanto um cliente gera de receita (ou lucro) durante todo o tempo que fica com você.

LTV é o valor total que um cliente traz ao longo do relacionamento — não só na primeira compra. Junta ticket médio, frequência de compra e tempo de permanência. Quanto mais o cliente fica e recompra, maior o LTV.

A relação LTV/CAC é um dos números mais reveladores de um negócio: ela diz se cada cliente vale mais do que custou conquistar. Uma régua saudável costuma ser LTV pelo menos 3x maior que o CAC — abaixo disso, crescer pode estar dando prejuízo disfarçado.

Exemplo: Um cliente que paga R$ 500/mês e fica, em média, 24 meses tem LTV de R$ 12.000.

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Endividamento

O quanto a empresa se financia com dívida — que pode ser alavanca de crescimento ou armadilha de caixa.

Endividamento é a proporção entre o que a empresa deve e o que ela tem (ou gera). Não é vilão por natureza: dívida barata para crescer ou investir pode acelerar o negócio. O problema é o endividamento que cresce descolado da capacidade de pagar.

O alerta acende quando uma fatia grande do lucro operacional vai embora só em juros e parcelas — sobra pouco para imprevisto e investimento. A pergunta certa não é 'tenho dívida?', e sim 'o que essa dívida está fazendo pela operação e ela cabe no meu caixa?'.

Exemplo: De R$ 15.000 de lucro operacional, R$ 8.000 vão para parcelas e juros. Mais da metade está comprometida — sinal amarelo.

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Burn rate e runway

Burn rate é quanto de caixa você queima por mês; runway é quantos meses esse caixa ainda dura.

Burn rate é o ritmo em que a empresa consome caixa quando gasta mais do que entra. Runway é a divisão do caixa disponível pelo burn rate: quantos meses você sobrevive mantendo o ritmo atual, sem nova receita ou aporte.

São termos do mundo das startups, mas valem para qualquer empresa em fase de investimento ou aperto. Saber o seu runway transforma ansiedade em prazo: você sabe exatamente quantos meses tem para virar a chave antes que o caixa acabe.

Exemplo: Caixa de R$ 120.000 queimando R$ 20.000/mês dá um runway de 6 meses.

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Prazo médio de recebimento (PMR)

Quantos dias, em média, a empresa demora para receber depois de fazer uma venda.

O prazo médio de recebimento mede o tempo entre vender e o dinheiro cair na conta. Quanto maior, mais tempo o seu dinheiro fica preso nas mãos do cliente — e mais capital de giro você precisa para tocar a operação.

É uma alavanca de caixa subestimada. Reduzir o PMR (antecipação, entrada, melhores prazos, cobrança ativa) libera dinheiro que já é seu, sem precisar vender mais nem buscar empréstimo. Comparado com o prazo médio de pagamento, ele revela se a sua operação financia o cliente ou o contrário.

Exemplo: Vendas que demoram em média 50 dias para virar caixa exigem giro para bancar quase dois meses de operação.

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Entender os termos é o primeiro passo. O segundo é ter esses números organizados e atualizados sem virar um trabalho em si. Se quiser ver onde a sua empresa está hoje, o diagnóstico gratuito te dá um retrato em poucos minutos.

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